segunda-feira, 23 de julho de 2012

CORVAIR - HENRI STRASSER












A uns dias atrás fizemos um post sobre o Corvair e tivemos muitos comentários onde se mencionava o nome do Sr.Henri Strasser como proprietário de Fusca e Puma com motor Corvair, recebemos um retorno do Sr.Henri, com fotos de época, o qual agradecemos demais..leiam o email recebido.

"Estas são as fotos dos meus carros com motor Corvair que consegui resgatar do passado! É pena que na época a gente não se preocupava em documentar nada!


Num comentário "recuperado" daquela época, sem dúvida houve diversos momentos legais com o Corvair mas também teve muita encheção de saco. O motor não é exatamente uma Brastemp. Dizem que o ferdinando Porsche deu palpite na construção desse motor mas ele devia estar numa fase muito ruim da vida dele ou resolveu se vingar dos americanos. Na realidade, o power train do Corvair é uma caricatura cínica do VW! Eixo pendulo com um motor mais pesado do que do Porsche 6 cilindros era uma garantia de capotamento principalmente os americanos que nunca conseguiram dirigir carro sobrestersante, que sai de traseira. O motor gira ao contrário de todos os outros! A correia em dois planos onde o alternador (o meu tinha alternador, não dínamo como os primeiros) e o esticador eram os pontos de virada. A correia aguentava duas semanas! As tampas do motor eram outra coisa curiosa. Num VW, o bloco são duas metades fechadas no meio que vedam o carter pra baixo e pra cima. O Corvair não, ele ainda tinha uma tampona em baixo e uma tampona em cima. Como o motor vibrava pra cachorro, a meia centena de parafusos que fechavam a caixa estavam toda hora soltando o que dava vazamento de óleo. Assim todo dia antes de sair eu olhava no chão pra ver onde tinha pingo de óleo e reapertava os parafusos. A alimentação também era muito esquisita, típicamente americana, como era um boxer tinha um carburador pra cada banco (nada de novo o VW é assim) mas aí vinha a versão de 4 carburadores onde acabamos descobrindo a duras penas que os carburadores adicionais eram os segundos estágios....

Enfim, o maior problema do motor era sua pouca vontade de girar! Qdo instalado no Puma, com o diferencial mais curto, quebraram-se 3 virabrequins. Não aguentaram 3 minutos de 5000 RPM na Marginal (205kph). Um voto de louvor ao Ferdinando é com relação à caixa de cambio VW que foi utilizada em ambos os casos. Só no VW que a caixa já estava judiada houve um debulhamento de primeira....

Nas épocas de conserto do Corvair eu andava com um VW de estepe que acabou virando um divisão 3 de 110HP de dinamômetro e que girava 7100RPM que acabou dando muito mais prazer do que o Corvair....."
 
Por favor, se quiserem se utilizar das fotografias em outras midias peço a gentileza de nos contatar, elas são de propriedade do Sr.Henri.

13 comentários:

roberto zullino disse...

Na Poli eram dois irmãos, um grande que era o menor e é alemão, o Gerard, outro menor, mas que é maior que é "o Francês", hoje em dia conhecido como Henri Strasser.
O Gerard era do meu ano, circunspecto e fumava cachimbo, o Henri era um pouco mais velho. Ambos eram dedicados ao Kart, mas como eram grandes tiveram que partir para os Karts de dois motores, uns canhões, o Henri foi o campeão de Superkart em 1969, acho que esse era o nome do campenato.
Andei uma vez nesse fusca ao lado, simplesmente coisa de hospício, os freios dianteiros ainda eram a tambor. No Puma não lembro, mas sei que os carburadores Rochester faziam o carro morrer no meio da curva, as bóias estavam ao contrário. Depois o Henri corrigiu. Pelo que me consta o Puma se adaptou bem melhor, no fusca tiveram que cortar parte das latas de trás do motor. O Puma realmente era um carro que dava trabalho para muito carro mais caro e de maior prestígio. Passava de 200 km/h facilmente. O Henri poderia fazê-lo de novo, tem um pessoal amigo em saquarema que está fazendo Pumas com motor entre-eixos e chassis tubular.
Nunca entendi a correia desse motor, ela dobrava no meio, acho que por isso quebrava em uma semana. O motor não era ruim, mas a GM estava metida em problemas com o Corvair e largou mão, mereceria ser melhor desenvolvido. Tenho a impressão que esses motores hoje em dia devem ter corrigidos todos os problemas pelo pessoal do aftermarket nos USA.

Henri Strasser disse...

Zullino, agradeço o comentário mas só retificando, Superkart foi aquilo que teve de 83 a 85. A primeira categoria bimotor na qual acabei me sagrando campeão em 1970 começou em 1966 (200cc) e foi extendida para 250cc para usar motores nacionais. Como o Gérard e eu ganhamos todas as corridas ela acabou em 1970. Quanto ao Corvair, obrigado, é uma experiência que não tenho nenhuma tesão em repetir. Na época, a minha firme intenção foi colocar um motor Carrera 2 no Fusca, mas a Dacon havia se encarregado de acabar com todos os motores Porsche disponíveis e só tinha blocos colados com Araldite! Preferi um motor novo mas não contava que ia encontrar isso! Em 1970 fizemos uma nova tentativa no Fusca do meu irmão e instalamos um 1600 "Dame" de 75 HP, também colado com Araldite mas menos ruim. Isso sim, ficou muito bom!!!!!

Francisco J.Pellegrino disse...

No fusca o velocimetro até 200 km/h e o toca fitas cartuchão...coisa de louco..

Rui Amaral Jr disse...

Ótimo depoimento Henri, parabéns!

regi nat rock disse...

bendita internet que nos permite (re) encontrar alguns sumidos. Pessoalmente nunca fui chegado em kart's mas era divertido acompanhar algumas corridas, pois os bichinhos andavam muito. O superkart eram aqueles carenados onde o Emerson recomeçou depois da debacle coperçucar e sempre tinha corrida na frente do pacaembu e todo mundo coladinho nos pneus que demarcavam a pista, sem segurança pra ninguém. Agora, sobre esses motores, realmente não sei porra nenhuma. rsrsrs e tô gostando do que tô lendo.

João Carlos Bevilacqua disse...

Ficávamos admirando o Volks do Henry no Bar Quitandinha em Santo André. Pessoalmente nunca tive amizade com ele, mas era amigo dos amigos dele, Michael Wagapoff e Sergio ( Serguey ) Dunda. Era lindo vê-lo saindo em direção ao largo da Estátua, roncando forte e esticando aquelas marchas. Parabens Soldado Atirador por este resgate de nossa juventude.

Francisco J.Pellegrino disse...

Soldado atirador Bevilacqua, a Coronel Oliveira Lima subia, a gente babava nas minas, voltas e mais voltas pela Coronel.

Irapuã disse...

Que papo legal!!! Sobre os carros e as fofocas.
Parabéns a todos pelas reminscências.

Paulo Levi disse...

Esse post realmente merece ser chamado de histórico. Parabéns ao Henri e ao Chico, extensivos ao Zullino e ao Bevilacqua, por iluminarem uma faceta pouco conhecida do motor Corvair e de sua aplicação em VWs e derivados.

Joel Gayeski disse...

Outro dia comentaram sobre esse Fusca num grupo no Facebook. Muito legal ver essas histórias sendo contadas por aqui, santa internet.

F250GTO disse...

Muito legal o post, parabens ao Chicão e demais envolvidos.
Sobre o Corvair, eu tive um amigo que tinha um coupé 64 que era muito bonito, mas realmente aquela correia era estranhíssima,alem de enorme pois fazia varias funções, trabalhava meio torcida, cruzada sei lá. Na época, 68/69 só tinha para vender em uma loja importadora de peças, na General Osório (Automotive) e era caríssima. Outra coisa que me lembro é que existia uma oficina em Pinheiros (Targa Flório) que instalava os kits Corvair nos Karmann Ghias. Andei em um certa vez, estava bem feito e era bom de andar.
Romeu.

Migdonio disse...

UHauhauha é verdade Romeu, a correia é muito estranha mesmo.
A primeira vez que eu vi no Puma do cara aqui de Curitiba, eu pensei: "Nossa, que lixo, olha a enjambra que o cara fez nessa correia!" uhauhauha

Ainda bem que fiquei quieto.

Belair disse...

Por essas e outras que passo sempre por aqui.
Boa Chicao!Boa Sr. Strasser!
Obrigado aos dois.